-

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Corta-te ou Purga-te IV

MULHER-OBJECTO
Mais um dia se segue na minha vida. Para alguns trata-se de uma vida escolhida, para outros uma sorte pútrida. Eu concordo com uma combinação das duas.
Hoje foi apenas mais um dia em que fui alheia a poucos. Muitos me olharam (tal descoberta), me apalparam (tal fruta), me gabaram (tal carro), me insultaram (tal árbitro), me imitaram (tal crianças) e outros “aram”.
Contudo, apesar de ter sido alvo de muitos mirares e contactos, ninguém me tocou na realidade. Pelo menos, tendo em conta que tenho um coraçãozinho que bate (mesmo que muitas vezes seja o menos importante já que sendo um objecto não tenho vida própria) sempre que era alvo de uma reviravolta, era apenas mais um movimento, algo que fazia porque faz parte do meu dia-a-dia.
São muitos os que me dizem que sou bonita, mesmo que por curtos segundos se fixam nos meus olhos, no meu cabelo enquanto o friccionam brutamente. Contudo, enquanto ouço alguns dos elogios, sinto-me tal boneca de porcelana, que recebe meia dúzia de panegíricos mas não pode pronunciar uma palavra. Eu posso, mas não consigo (nem quero).


Este texto não é baseado em experiências pessoais, segue-se da Rubrica “Corta-te ou Purga-te”, em que a Débora sugeriu encarnarmos um objecto. Após ter pedido sugestões, a minha mãe teve a ideia de sugerir “Mulher objecto”. Baseei-me nos sentimentos que julgo que elas devem sentir, já que o objecto não é só o materialmente material (confuso, eu sei…).
Para os mais curiosos, aqui tentarei explicar o que significa a denominação.
Mulher objecto é o termo que designa um comportamento por parte do sexo feminino em que este sente prazer ao adoptar uma postura submissa tanto com mulheres como com homens.
Estas mulheres sentem prazer ao serem humilhadas tanto a nível sexual como comportamental.

4 remendo(s):

Débora Val disse...

Gostei de ler o texto. De facto, encarnarmos noutro "eu" que não o nosso é uma experiência interessante. Disseste-me que tinhas fugido ao tema, mas creio que não fugiste assim tanto quanto dizes. O objectivo desta experiência era, como dito, encarnarmos noutro "eu" e foi o que fizeste aqui. Era suposto falares de algum objecto, só para encarares a realidade duma outra perspectiva, mas teres falado numa mulher-objecto também serviu, na medida em que também viste a realidade duma maneira diferente.

Fizeste um texto pequeno, mas bom. :)

Beijos.

Ana Carolina disse...

Muito bom :)

Lu.a disse...

Essa mulheres (mulheres-objecto)são umas parvas!! Mas que existem, existem...!!

ana d. disse...

"Oh life, it´s bigger, it´s bigger than you".
Cada um vê a vida como quer. Não é mais nem menos parvo por viver a vida como quiser.

© oblogdocorte 2007. Todos os direitos reservados